A começar pelos nossos pais, quando somos pequenos, que nos assustam com histórias do bicho papão ou do pai natal. Ou quando nos prometiam um presente se nos portássemos bem... E o presente nunca chegava. Acho que a minha geração é dotada de uma grande resistência à frustração por causa disto. Já não se vêem criançinhas a chorar nas feiras ou no supermercado. Das duas uma: ou os pais dão-lhe previamente "qualquer coisinha" ou subtilmente a criança pega naquilo que quer o coloca-a dentro do carrinho sem ninguém dar por isso.
Mas voltando ao assunto inicial. Depois vêem as petas inocentes ou não dos colegas de escola e com elas o agora chamado bullying, o gozo e o desprezo por não se ter o objecto X ou Y. No meu tempo era principalmente o facto de não ter roupa de marca o motivo de gozo, agora são as PSP's e coisas do género.
Na adolescência pode dizer-se que o principal objectivo de vida de alguém é inventar histórias e difamar os outros. Acho que isso ainda se mantém, embora os adolescentes pareçam todos umas fotocópias dos outros.
Nos namoros, as mentiras inocentes, a desculpa esfarrapada, a história mal inventada ou as grandes traições, são universais e não vale a pena discuti-las.
Quando somos velhos dizem-nos na cara que ainda somos úteis e que ainda temos capacidade para muita coisa, isto quando nos telefonam para o lar de 15 em 15 dias.
Existem alguns clássicos, como o "não estás nada gorda" (universal) ou "este carro não é velho e o que interessa é que está em perfeitas condições" (dizem os paizinhos quando nos emprestam a velharia lá da garagem). "Estou com uma crise de asma" (quando não nos apetece ir trabalhar); "Já não uso essa marca. já não tem graça" (quando a amiga compra uma camisola da mesma marca" ou então a melhor: "Não percebo como é que não tens namorado, és linda" (não preciso dizer quando". Depois também há os típicos "Vamos ser amigos para sempre" ou "nunca vou olahr para mais ninguém". Ora, para sempre é muito tempo, mas ok... Tudo é eterno enquanto dura. Nem que seja até à manhã seguinte.
Mas porque não acabar com estas merdices todas?
Ah, no meio disto tudo há uma grande verdade. Um clássico que é verdadeiro! " O problema não és tu, só eu". Apesar de custar a ouvir como o raio é a única verdade que se pode dizer a alguém. O problema somos sempre nós, porque não estamos bem, porque somos uns/ umas cabrões/cabras, porque não temos dinheiro para comprar mais nada, porque só vemos ou nosso umbigo, porque as coisas dão muito trabalho, poqur não nos apetece ou porque só queriamos uma queca. Aqui o leque podia ser maior.
Ela está por todo o lado e terá vindo para ficar.
Toda a gente tem segredos, um lado negro ou mau comportamento uma vez na vida.
Vale a pena fechar os olhos? Talvez seja o melhor a fazer, senão qualquer dia nem na própria sombra confiamos.Não, eu não confio, mas também não sou boa pessoa. Apenas uma pessoa revoltada.


